Entrevista com...Frederico Barata
Frederico Barata:
“Sou competitivo comigo e pouco com os outros, quando me desafiam já não quero.
A música ainda está para vir.”
Gostava de trabalhar com crianças no acesso às artes e para si o mais
importante na representação é o poder de partilhar. É viciado em desporto, mas
é a representar que se sente realmente feliz.
Em algumas palavras, quem é o Frederico Barata?
Alguém que pouco fala e que gosta mais de ouvir.
É conhecido na televisão pela sua profissão como ator. Como lida com a
exposição?
Nunca me
senti incomodado com qualquer abordagem ou tempo despendido com alguém que
tenha sentido necessidade de mostrar o afeto e carinho ou simplesmente de expor
a sua opinião sobre o meu trabalho, seja em televisão ou teatro. São públicos muito
diferentes, que se relacionam de diferentes formas com a arte e/ou com a imagem
que têm do artista. Em televisão o ator pertence a um conteúdo composto por
variadas marcas e produtos que financiam o projeto, podendo desse modo ter
alguma liberdade mercantil sobre a imagem associada ao artista. Isto que refiro
acaba sempre por manipular a exposição de quem ali está e de como é visto. Este
contraste entre o artista real e aquele que é produzido por diversas entidades
coloca muitas vezes na consciência do coletivo uma dúvida grande de si e sobre
uma determinada personalidade - V.I.P. Este conceito é economicamente benéfico
para os que fazem e querem fazer, mas pouco abrangente no que toca à divulgação
e importância artística real do intérprete na sociedade.
Já fez trabalhos em televisão, teatro e cinema. Qual é a área que o cativa mais? Não gosto de escolher. Tudo o que fiz até hoje teve a ver com a minha vontade em determinado momento. Posso dizer que nunca tive necessidade de fazer algo por ser obrigado ou por depender de outros fatores distintos da minha profissão. Acho que só aqui estou, porque não parei de fazer o que quero, caso contrário seria atleta. Fazer teatro aproxima-se disso mesmo, por não se enquadrar numa complexidade de relações comerciais, mas por depender só e apenas do ser. Penso que o trabalho em palco obriga o artista a completar o seu discurso e a trabalhar com os únicos recursos que tem - Tempo e Presença. Esse trabalho, que se assemelha ao do atleta, por ser mais independente, mais dirigido e mais sagrado, por se encontrar mais próximo da vida e da morte, pode ser verdadeiramente viciante e muito penoso para aquele que deixa o corpo construir e produzir a alta intensidade num tempo que é definido. Comparo isto com o desporto radical, como andar de skate ou surf em que o desafio é rigoroso, repetitivo e bastante libertador quanto maior for a capacidade de abraçar o medo de nós próprios.
A televisão como já referi, faz parte de uma outra forma de fazer. Obriga-nos a ser o que nos pedem e o que está escrito. O desafio está em conseguir dar diferentes cores para o mesmo problema durante vários meses, com o menor tempo possível para a resolução técnica e artística.
Como foi a experiência de fazer cinema? Ainda não tive muitas oportunidades de explorar a área como gostaria, mas o que fiz bastou-me para perceber que se aproxima do teatro de um modo bastante mais sofisticado na medida em que tudo o que entra em plano é composto por um conjunto de elementos anteriormente estudados e pensados para comunicar de uma certa maneira. Como se se tratassem de quadros pintados e desenvolvidos para nunca mais esquecer.
Fez maioritariamente novelas para a TVI. Quais foram as grandes diferenças que sentiu ao trabalhar tanto para uma estação privada como para a estação pública? Penso que ambas são muito parecidas no que respeita à organização e produção de conteúdos. A diferença está na questão laboral e do modo como estas podem prejudicar os trabalhadores privados e públicos. A produção ficcional em Portugal é feita principalmente por duas empresas da indústria - SP Televisão e Plural Entertainment - sendo a Plural exclusivamente da estação TVI. A falta de pessoal nos privados acaba por sobrecarregar as equipas com a excessiva carga horária e consequentemente honorários de valores ridículos. Relativamente aos atores não existe grande diferença de uma estação para a outra no que toca ao valor de mercado definido.
No serviço público estão a apostar mais em séries realizadas e produzidas por produtoras de Cinema que, no meu entender, pode dar início a uma nova visão sobre a nossa inquestionável capacidade de fazer frente aos conteúdos internacionais produzidos pela Netflix, FOX…
As novelas para a TVI em que participou são todas da autoria de Rui Vilhena. Por algum motivo em especial? O Rui Vilhena faz parte da minha infância por ser um grande amigo da minha família. Foi com ele que comecei a trabalhar e a aprender neste meio. Ele percebeu que podia confiar em mim desde a fase em que mostrei o meu interesse no trabalho do ator. Foi também o grande responsável por estar aqui agora.
Em 2007 fez dobragens. Gostou desse trabalho? Voltaria a repetir? Sim, continuo a fazer. É também um bom complemento para o que faço e acaba por ser gratificante no sentido em que não deixamos de fazer parte das gerações anteriores.
É apreciador de desporto e de música. Como concilia estes passatempos com o trabalho enquanto ator?
Sou obrigado a conciliar o desporto com o meu trabalho, pois não os consigo separar. O desporto acaba sempre por me ajudar no dia-a-dia, cria rotinas e obriga a manter o foco num único objetivo. Na verdade, sou viciado em desporto desde os 6 anos de idade, tendo já feito muitas modalidades, umas menos tempo e outras em que acabei por competir - o que nunca foi o meu forte. Sou competitivo comigo e pouco com os outros, quando me desafiam já não quero. A música ainda está para vir.
O que é mais gratificante na arte de representar? Penso que a partilha. Quando fazemos algo que é percetível sem que haja relação de poder sobre alguém ou alguma coisa, apenas por recreio. É importante passar a mensagem, independentemente da forma, mais fiel a nós para que outros a possam transformar.
O que ambiciona fazer que ainda não fez?Trabalhar com crianças no acesso às artes. Penso que é indispensável existirem escolas e espaços dedicados às diferentes formas de expressão, tal como é a educação física.
Como se vê daqui a 10 anos? Mais confiante e realizado a todos os níveis.
Já fez trabalhos em televisão, teatro e cinema. Qual é a área que o cativa mais? Não gosto de escolher. Tudo o que fiz até hoje teve a ver com a minha vontade em determinado momento. Posso dizer que nunca tive necessidade de fazer algo por ser obrigado ou por depender de outros fatores distintos da minha profissão. Acho que só aqui estou, porque não parei de fazer o que quero, caso contrário seria atleta. Fazer teatro aproxima-se disso mesmo, por não se enquadrar numa complexidade de relações comerciais, mas por depender só e apenas do ser. Penso que o trabalho em palco obriga o artista a completar o seu discurso e a trabalhar com os únicos recursos que tem - Tempo e Presença. Esse trabalho, que se assemelha ao do atleta, por ser mais independente, mais dirigido e mais sagrado, por se encontrar mais próximo da vida e da morte, pode ser verdadeiramente viciante e muito penoso para aquele que deixa o corpo construir e produzir a alta intensidade num tempo que é definido. Comparo isto com o desporto radical, como andar de skate ou surf em que o desafio é rigoroso, repetitivo e bastante libertador quanto maior for a capacidade de abraçar o medo de nós próprios.
A televisão como já referi, faz parte de uma outra forma de fazer. Obriga-nos a ser o que nos pedem e o que está escrito. O desafio está em conseguir dar diferentes cores para o mesmo problema durante vários meses, com o menor tempo possível para a resolução técnica e artística.
Como foi a experiência de fazer cinema? Ainda não tive muitas oportunidades de explorar a área como gostaria, mas o que fiz bastou-me para perceber que se aproxima do teatro de um modo bastante mais sofisticado na medida em que tudo o que entra em plano é composto por um conjunto de elementos anteriormente estudados e pensados para comunicar de uma certa maneira. Como se se tratassem de quadros pintados e desenvolvidos para nunca mais esquecer.
Fez maioritariamente novelas para a TVI. Quais foram as grandes diferenças que sentiu ao trabalhar tanto para uma estação privada como para a estação pública? Penso que ambas são muito parecidas no que respeita à organização e produção de conteúdos. A diferença está na questão laboral e do modo como estas podem prejudicar os trabalhadores privados e públicos. A produção ficcional em Portugal é feita principalmente por duas empresas da indústria - SP Televisão e Plural Entertainment - sendo a Plural exclusivamente da estação TVI. A falta de pessoal nos privados acaba por sobrecarregar as equipas com a excessiva carga horária e consequentemente honorários de valores ridículos. Relativamente aos atores não existe grande diferença de uma estação para a outra no que toca ao valor de mercado definido.
No serviço público estão a apostar mais em séries realizadas e produzidas por produtoras de Cinema que, no meu entender, pode dar início a uma nova visão sobre a nossa inquestionável capacidade de fazer frente aos conteúdos internacionais produzidos pela Netflix, FOX…
As novelas para a TVI em que participou são todas da autoria de Rui Vilhena. Por algum motivo em especial? O Rui Vilhena faz parte da minha infância por ser um grande amigo da minha família. Foi com ele que comecei a trabalhar e a aprender neste meio. Ele percebeu que podia confiar em mim desde a fase em que mostrei o meu interesse no trabalho do ator. Foi também o grande responsável por estar aqui agora.
Em 2007 fez dobragens. Gostou desse trabalho? Voltaria a repetir? Sim, continuo a fazer. É também um bom complemento para o que faço e acaba por ser gratificante no sentido em que não deixamos de fazer parte das gerações anteriores.
É apreciador de desporto e de música. Como concilia estes passatempos com o trabalho enquanto ator?
Sou obrigado a conciliar o desporto com o meu trabalho, pois não os consigo separar. O desporto acaba sempre por me ajudar no dia-a-dia, cria rotinas e obriga a manter o foco num único objetivo. Na verdade, sou viciado em desporto desde os 6 anos de idade, tendo já feito muitas modalidades, umas menos tempo e outras em que acabei por competir - o que nunca foi o meu forte. Sou competitivo comigo e pouco com os outros, quando me desafiam já não quero. A música ainda está para vir.
O que é mais gratificante na arte de representar? Penso que a partilha. Quando fazemos algo que é percetível sem que haja relação de poder sobre alguém ou alguma coisa, apenas por recreio. É importante passar a mensagem, independentemente da forma, mais fiel a nós para que outros a possam transformar.
O que ambiciona fazer que ainda não fez?Trabalhar com crianças no acesso às artes. Penso que é indispensável existirem escolas e espaços dedicados às diferentes formas de expressão, tal como é a educação física.
Como se vê daqui a 10 anos? Mais confiante e realizado a todos os níveis.

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